POEMA DA LIBERDADE
a casa não é feita de barro
é feita de concreto
fazenda
família
casamento
e um antigo amor
escorre pelas suas mãos
a água
uma água suja
de onde boiavam
latas cheias de cerveja
e uma antiga embriaguez
saio pela porta dos fundos
vestido rodado
cachos
há ratos passando pela cozinha
- os gatos correm atrás –
e uma antiga tia que resmunga
uma ave fala comigo
ou talvez seja
um cão - não, é sim uma ave -
qual é sua cor?
é a cor da morte
e um antigo medo de infância
a ave bica
mata aquela serpente imensa
defende
me – defende
mas sei que é em vão
e um antigo presságio
a ave se debate
está morrendo
nem serpente
nem ave
nem cão
e uma antiga dor
vejo J. na cachoeira
e eu estou à procura de ajuda
de água limpa também
J. garimpa
vejo cristais
— não pare de procurar por pedras preciosas
e uma antiga busca
pelo que já está no
chão
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