ERUDIÇÃO


Quantos homens grandes
São homens grandes e altos
Sim, são homens grandes.
Mas não quero ser erudita
Tenho uma enorme aversão pelos eruditos.
Ouço Chopin no fone de ouvido
Não quero ser clássica
Não quero me distanciar tanto dos corpos
E não perceber o que é real
Como são grandes e falam bonito
Se desconcertam quando não entendem uns aos outros
Fingem que tudo está bem e fazem que sim com a cabeça e leem poesia em voz alta
Fingindo gostar do povo
E falam muito do povo
Falam da pobreza e vão ao teatro
Esqueceram que a miséria não combina com o teatro
E sentem náuseas ao verem os mendigos na porta do evento
Não posso ser erudita
Mesmo ouvindo Bach e sabendo dissertar sobre arte
Não quero ser erudita
Pois lavo as louças com os pés sujos
Sentindo a calcinha presa nas minhas dobras.
Sobretudo, o pior,
Os eruditos vão amar esse poema
Vão aplaudir no final, pois acham subversivo.
Eles respeitam o contemporâneo.
São homens grandes e altos
Sim, são grandes.
No final dos aplausos só gostaria de dizer:
Que vão todos para o caralho.

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